O último passo de Rei Sakamoto rumo ao quadro principal do US Open tinha o peso de uma estreia e o rosto de uma despedida. Na sexta-feira, 28 de agosto, o japonês de 20 anos venceu Kei Nishikori por 6-4 e 7-6(3), na Quadra 17 do USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Nova York, e atravessou pela primeira vez a fase classificatória do torneio.
Sakamoto chegou à rodada decisiva diante do jogador que ajudou a definir sua relação com o tênis. Ele tinha oito anos quando Nishikori alcançou a final do US Open de 2014, a primeira final de simples disputada por um homem asiático num Grand Slam. Depois da partida, resumiu o vínculo sem esconder o contraste do momento: “Ele foi meu ídolo por toda a vida”.
Dentro da quadra, porém, a homenagem precisou esperar. Sakamoto construiu a vitória com um saque dominante: foram 19 aces, o último deles no match point, depois de Nishikori salvar duas oportunidades anteriores. O placar direto não eliminou a tensão do segundo set, decidido apenas no tie-break enquanto a torcida tentava prolongar a última passagem do veterano por Flushing Meadows.
Nishikori, de 36 anos, havia recebido convite para disputar o qualifying e vencido duas partidas antes do encontro entre compatriotas. Finalista em Nova York em 2014, semifinalista em 2016 e 2018 e número 4 do mundo em 2015, ele anunciou em abril que encerrará a carreira ao fim da temporada de 2026. A derrota, portanto, fechou sua trajetória no US Open antes do quadro principal que começa no domingo.
A despedida teve o tom de uma passagem de bastão, mas sem teatralidade forçada. “Não estou feliz por perder hoje, mas estou feliz por Rei”, disse Nishikori, que apontou Sakamoto como o próximo grande jogador japonês. A organização entregou ao ex-finalista um retrato emoldurado de sua história no torneio; Sakamoto voltou para ajudá-lo a segurá-lo na fotografia.
O simbolismo não substitui o desafio esportivo. Sakamoto entra em seu primeiro quadro principal do US Open ainda construindo espaço no circuito e carregando expectativas que não cabem em uma única vitória. Ao mesmo tempo, Nishikori deixa Nova York reconhecendo a lacuna que sua geração abriu e dizendo que espera, no futuro, ajudar o tênis japonês e asiático.
Por isso, a tarde na Quadra 17 valeu mais do que a definição de uma vaga. O US Open perdeu seu finalista asiático mais marcante da era moderna e recebeu um estreante que precisou superar o próprio ídolo para entrar. Entre o ace final e o retrato compartilhado, duas carreiras japonesas se encontraram exatamente no ponto em que uma porta se fechava e outra se abria.
Fontes consultadas: ATP Tour, em 28 de agosto de 2026, para resultado, contexto de carreira e declarações; Associated Press, em 28 de agosto de 2026, para estatísticas da partida, homenagem e declarações de Sakamoto e Nishikori. Apuração atualizada em 29 de agosto de 2026.
