Na noite de terça-feira, 1º de setembro, Gael Monfils entrou no Louis Armstrong Stadium para celebrar um aniversário e saiu com um lugar novo na história do US Open. Em sua 18ª e última participação em Nova York, o francês derrotou o paraguaio Adolfo Daniel Vallejo por 2-6, 6-1, 6-2 e 6-0 e avançou à segunda rodada no dia em que completou 40 anos.
O começo não parecia desenhado para festa. Vallejo venceu cinco games seguidos no primeiro set e tomou a iniciativa, enquanto Monfils ainda buscava distância da bola e ritmo nas pernas. A reação surgiu logo no início da segunda parcial. O veterano passou a devolver mais dentro da quadra, protegeu melhor o saque e transformou o restante da partida numa demonstração de controle: perdeu apenas três games nos três sets finais e encerrou a noite com 37 bolas vencedoras.
A idade deu ao resultado uma dimensão que o placar sozinho não explica. Monfils tornou-se o primeiro homem de 40 anos ou mais a vencer uma partida de simples no US Open desde Jimmy Connors, também aos 40, em 1992. Nos últimos 50 anos, apenas Ken Rosewall, aos 42 em 1977, Connors e agora Monfils conseguiram avançar no torneio depois de chegar a essa faixa etária.
Foi também a 34ª vitória de Monfils em Nova York, a maior marca de um francês na história do evento. O número atravessa duas décadas de presença em Flushing Meadows e inclui a semifinal de 2016, alcançada sem perder sets. Aos 40, a assinatura continuava reconhecível: defesa elástica, acelerações repentinas e saltos que fazem uma arquibancada reagir antes mesmo de a bola tocar o chão.
O contexto torna a noite ainda mais precisa. Monfils anunciou que 2026 será sua última temporada e chegou ao US Open para disputar o 71º e último Grand Slam da carreira. Não era apenas a última estreia em Nova York; era uma das últimas oportunidades de prolongar em quadra uma relação construída desde sua primeira participação, em 2005.
Quando a vitória foi confirmada, o público cantou parabéns e Elina Svitolina acompanhou a celebração nas arquibancadas. Monfils resumiu o ambiente com poucas palavras: “A atmosfera é inacreditável”. O gesto da torcida serviu como homenagem, mas o desempenho impediu que a noite se reduzisse à nostalgia.
A segunda rodada reforçará essa tensão entre memória e presente. Na quinta-feira, Monfils enfrentará Learner Tien, campeão vigente do Next Gen ATP Finals e vencedor do único duelo entre eles, em Montreal no mês passado. Depois daquela partida, o norte-americano de 20 anos pediu um autógrafo ao francês que admirava quando criança.
Essa inversão de papéis talvez seja a melhor medida do que Monfils realizou. Ele chegou à despedida sendo referência para o próximo adversário e, ainda assim, precisará competir com ele por cada ponto. Aos 40, a última dança em Nova York ganhou pelo menos mais um ato — não por concessão do roteiro, mas porque Monfils ainda foi capaz de mudar o jogo.
Fontes consultadas: US Open/USTA e ATP Tour. Apuração atualizada em 2 de setembro de 2026.
