O sorteio da chave masculina do US Open, realizado na quinta-feira, 27 de agosto, fez mais do que separar 128 jogadores. Ele concentrou todos os campeões anteriores presentes em 2026 na metade inferior e desenhou uma possível semifinal entre Novak Djokovic e Carlos Alcaraz — um encontro que, antes de existir, exige que os dois atravessem caminhos muito diferentes.
A distribuição nasce de um torneio sem Jannik Sinner. O número 1 do mundo retirou-se por uma lesão no joelho direito, Alexander Zverev assumiu a condição de principal cabeça de chave e o atual campeão Alcaraz ficou como número 2. Djokovic, quarto cabeça de chave, caiu no mesmo lado do espanhol. Se ambos vencerem cinco partidas, estarão frente a frente na semifinal, nunca na decisão.
Essa metade reúne todos os homens da chave que já levantaram o troféu em Nova York: Alcaraz, campeão em 2022 e 2025; Djokovic, vencedor em 2011, 2015, 2018 e 2023; Daniil Medvedev, campeão de 2021; Stan Wawrinka, de 2016; e Marin Cilic, de 2014. A chave não garante que um deles avance, mas transforma cada reencontro possível em uma camada adicional de memória.
Djokovic começa contra o argentino Mariano Navone. A segunda rodada pode oferecer Matteo Berrettini ou Wawrinka, que disputa o último Grand Slam da carreira exatamente dez anos depois de derrotar o sérvio na final de 2016. Pelas posições dos cabeças de chave, Brandon Nakashima aparece como adversário projetado nas oitavas, Medvedev nas quartas e Alcaraz na semifinal. São projeções, não compromissos: o US Open raramente respeita uma linha reta por duas semanas.
Alcaraz também precisa olhar primeiro para a estreia. Ele enfrentará Roman Safiullin em sua primeira partida oficial desde abril, quando uma lesão no punho direito interrompeu sua temporada em Barcelona. Ben Shelton, campeão em Montreal, e Arthur Fils, vencedor em Cincinnati, ocupam o mesmo quarto da chave e oferecem a combinação de saque e potência que mais testa um retorno ainda sem ritmo competitivo.
O eventual duelo entre Alcaraz e Djokovic carrega equilíbrio real. O confronto direto está empatado em 5 a 5. O espanhol venceu o único encontro de 2026, na final do Australian Open, mas Djokovic chega ao palco em que conquistou o mais recente de seus 24 títulos de Grand Slam. Em Nova York, a diferença entre expectativa e realidade costuma caber em uma sessão noturna.
Na metade superior, Zverev abre contra Lorenzo Sonego e tem um corredor sem antigos campeões do US Open. Isso não significa uma rota simples: Felix Auger-Aliassime, Flavio Cobolli, Alex de Minaur e Taylor Fritz estão daquele lado. Significa apenas que o sorteio distribuiu experiência específica de Nova York de forma incomum, deixando a metade inferior com todos os jogadores que já sobreviveram até o último domingo em Flushing Meadows.
A imagem mais sedutora é a semifinal entre os campeões de 2025 e 2023. A leitura mais honesta é outra: a chave colocou história demais no mesmo espaço e obrigará seus protagonistas a administrá-la rodada a rodada. Antes de Alcaraz, Djokovic pode reencontrar Wawrinka e Medvedev. Antes de Djokovic, Alcaraz precisa descobrir como o corpo reage depois de quatro meses sem competir.
O sorteio criou a geografia do torneio, não o seu destino. A partir de domingo, 30 de agosto, cada nome terá de transformar projeção em vitória. Se Djokovic e Alcaraz chegarem à semifinal, o encontro será a consequência de dez partidas vencidas — e não uma promessa feita por uma folha de chave.
Fontes consultadas: ATP Tour e US Open/USTA. Apuração atualizada em 28 de agosto de 2026.
