No sábado, 29 de agosto, Ignacio Buse transformou a última tarde do Winston-Salem Open em um marco para o tênis peruano. Aos 22 anos, ele venceu o britânico Arthur Fery por 6-3 e 6-2, em pouco mais de 71 minutos, no complexo de tênis da Wake Forest University, na Carolina do Norte, e conquistou o ATP 250 sem ceder espaço para uma reação na final.
O troféu veio acompanhado de um recorde. Buse tornou-se o campeão mais jovem da história do torneio: tinha um mês a menos do que Hubert Hurkacz quando o polonês venceu a edição de 2019, aos 22 anos e seis meses. Terceiro cabeça de chave, o peruano converteu quatro de sete break points contra Fery e perdeu o saque apenas uma vez.
“É muito especial para mim”, disse Buse depois da partida, antes de dividir o mérito com a equipe. A celebração — primeiro no chão, depois junto ao seu box — condensou uma temporada em que a ascensão deixou de ser promessa para ganhar resultados em contextos diferentes.
O primeiro título de Buse havia chegado em maio, no ATP 500 de Hamburgo, sobre o saibro, com vitória sobre Tommy Paul na decisão. Winston-Salem acrescenta uma peça mais reveladora: antes desta semana, o peruano somava apenas uma vitória em sete partidas de nível ATP em quadras duras. Cinco triunfos consecutivos na Carolina do Norte mudaram a leitura sobre a amplitude de seu jogo.
A curva do ranking ajuda a medir o salto. Buse ocupava a 135ª posição há um ano e voltará ao recorde pessoal de número 31 na lista projetada. Ele também se tornou apenas o segundo peruano a ganhar um título de simples do circuito em quadra dura e o primeiro desde Jaime Yzaga, campeão em Sydney em 1993.
Fery chegou à primeira final ATP da carreira depois de uma campanha sem perder sets e vinha de uma semifinal em Wimbledon. O britânico deve alcançar o 33º lugar e assumir a condição de número 1 de seu país. Esse contexto torna o domínio de Buse na decisão mais significativo: não foi uma vitória contra um adversário sem embalo, mas uma atuação controlada diante de outro nome em rápida ascensão.
O calendário, porém, não oferece pausa para absorver o feito. Cabeça de chave 32 no US Open, Buse estreia em Nova York contra o norte-americano Marcos Giron e terá de converter a confiança do título em recuperação física para uma partida de melhor de cinco sets. Winston-Salem não garante uma campanha longa em Flushing Meadows, mas muda o ponto de partida: Buse chega ao último Grand Slam do ano com evidência de que seu avanço não depende mais de um único piso.